Marina Abramovic: a emoção independe das palavras

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Amor e criatividade sempre serão meu tema favorito. A emoção independe das palavras. Quantas lembranças cabem em um olhar?

Durante sua exposição “A artista está presente” no Museu de Arte Moderna(MoMa), de Nova York a artista  Marina Abramovic teve uma surpresa. Na exposição, Marina deveria passar um minuto em silêncio com cada estranho que sentasse à sua frente. Enquanto Marina estava de olhos fechados, chegou um participante “estranho” que era nada mais nada menos que Ulay, seu antigo amor.

A artista pediu que a produção instalasse uma mesa e duas cadeiras para que as pessoas sentassem de frente e a encarassem, pelo tempo que quisessem. A fila para tentar olhar para Marina pelo menos por alguns minutos era gigante e permaneceu assim durante toda a exposição, que durou três meses. O documentário mostra a emoção de quem conseguiu sentar-se de frente para o olhar profundo da artista. O trabalho de Marina, que teve início nos anos 70 e é marcado pela experimentação entre o performer e o público, os limites do corpo, e as possibilidades da mente.

E não houve história, não houve uma crescente, não houve um desenvolvimento…era apenas sentar-se. E o público tinha a inteira liberdade de ficar ali o quanto quisesse. O curador da exposição me disse que talvez seria apenas uma cadeira na minha frente, na maioria do tempo. Aconteceu que nós batemos o recorde de visitas do museu e, de 850 mil visitantes, 1.750 sentaram-se na minha frente. Sem fim. Houve uma pessoa que ficou sentada ali durante sete horas. Eles esperavam a noite inteira para sentar-se, apenas porque havia algo realmente acontecendo, de uma forma que é quase racionalmente inexplicável.

E, realmente, parece que havia algo especial acontecendo ali. Já o encontro com Ulay guarda uma enorme história. Como diz Judith Thurman em um artigo para a revista New Yorker, traduzido aqui pela Bravo!, “a carreira de Marina Abramovic divide-se em três períodos: antes, durante e depois de Ulay, pseudônimo de Uwe Laysiepen”. Eles se conheceram quando eram adolescentes em um abrigo antiaéreo em Solingen, cidade da Westfália, na Alemanha. Marina era filha de católicos e ex-heróis da Segunda Guerra Mundial. Ulay era filho de um soldado nazista.

Juntos, o casal produziu arte durante 12 anos nômades, entre 1976 e 1988, viajando em um trailer. Eles se diziam um só corpo (nascidos no mesmo dia, em anos diferentes), feito de duas cabeças, mas com a mesma identidade e propósito artístico.  Como bons artistas dramáticos e intensos, eles fizeram uma última performance antes da separação, realizada na Muralha da China. Ela veio do leste e ele do Oeste. Encontraram-se após três meses no meio e se despediram.

Após os 33 anos que ficou sem ver Ulay, veja qual foi a reação de Marina no vídeo abaixo:

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