Pesquisa revela quais marcas foram mais lembradas por proporcionar bons momentos ao público no Rock in Rio

Qual marca chamou mais atenção dos que estiveram no Rock in Rio? E daqueles que acompanharam via TV ouweb?

Um estudo da Ilumeo com mais de 1.200 pessoas levantou estes e outros dados relativos ao evento que encerrou no dia 22/09, na Cidade do Rock, no Rio de Janeiro. De acordo com as informações levantadas, considerando-se o público que estava no local e o que acompanhou a distância, a Coca-Cola foi a marca com a melhor lembrança, com 58%, seguida por Itaú  (53%) e Heineken (52%).

A Coca-Cola ficou na lembrança do público do Rock in Rio 2013 (Foto: Mateus Arisa/Promoview).

O curioso é que, ao fragmentar estes dados,  o resultado muda um pouco. Quando se leva em conta quem foi ao evento, o Itaú tem 74%, seguido pela Coca-Cola (67%), Heineken(66%) e Club Social, que aparece com 57% contra apenas 36% obtidos quando o critério foi o público geral.

Astro do Rock foi a ação de marketing promocional que o Itaú levou à Cidade do Rock.

“Na métrica de lembrança de patrocínio dentre das pessoas que foram ao Rock in Rio, as marcas que mais têm seus índices elevados, em relação ao público em geral, são Itaú e Club Social. Provavelmente, estas marcas tiveram atuação marcante no evento”, observaDiego Senise, diretor da Ilumeo.

Balanço do evento

A organização do Rock in Rio divulgou no dia 27/09, o balanço final do festival. No total, foram 90 horas de música ao longo de sete dias e um público de 595 mil pessoas presentes na Cidade do Rock para acompanhar mais de 160 atrações.

Segundo estimativas da Secretaria de Turismo do Rio de Janeiro (Riotur), o Rock in Rio gerou um impacto na economia do Rio de Janeiro de mais de R$ 1 bilhão, atingindo uma média de 90% de ocupação dos quartos da rede hoteleira carioca.

Os resultados na web merecem destaque. O Rock in Rio alcançou a marca de mais de 10,256 milhões de seguidores nas redes sociais, sendo que registrou um crescimento de 704 mil fãs só durante o festival.

O site oficial do evento obteve cerca de 4,5 milhões de visitas e aproximadamente 9,2 milhões de page views. Os principais países que acessaram, além do Brasil, foram Estados Unidos, Portugal, México e Chile, nesta ordem.

O sucesso dos brinquedos instalados na Cidade do Rock, que levavam o nome de patrocinadores e contaram com filas gigantes durante todos os dias, também pode ser expressado em números.

A Heineken está entre as mais lembradas do evento de rock (Foto: Mateus Arisa/Promoview).

Um total de 95.741 pessoas passaram pela roda-gigante, tirolesa, turbo drop, montanha russa e parede de escalada ao longo do festival. Na alimentação os dados também são grandiosos: foram consumidos 530 mil litros de cerveja, 420 mil garrafas de água, 210 mil copos de refrigerante, 9,7 toneladas de copos de refrigerantea, 130 mil pães de queijo, 48 mil pizzas, 29 mil cachorros quentes e 280 mil hambúrgueres.

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O novo coletivo

                                    Nuvem_tags

Vivemos um momento ímpar na história do Brasil e dos brasileiros. Vivemos um novo Brasil. E uma nova geração. O nosso país nunca esteve tão bem posicionado diante do mundo, em qualquer aspecto. Isso, sem dúvida, faz com que a nossa geração tenha um sentimento muito maior de ser brasileiro do que outras gerações.

Talvez por isso que 89% dos jovens têm orgulho de ser brasileiro e 87% acham que o Brasil é importante no mundo hoje. Hoje os jovens são agentes transformadores da sociedade, jovens que já estão pensando mais sobre o país, que são otimistas e que estão atuando no presente e pensando no futuro.

Mas isso não é reflexo apenas de uma situação econômica ou política. É uma evolução natural das gerações. Se hoje 55% dos jovens quer uma formação profissional e emprego, nem sempre foi assim. E a melhor forma de entender as particularidades da nossa geração é compará-la com as gerações anteriores. Enquanto nossos pais e avôs precisam revolucionar os padrões sociais mais tradicionais, revolucionar os costumes, talvez até aderindo à luta armada movidos por um forte idealismo e o sonho de mudar o mundo, nós temos um atuação coletiva. Nascemos num país já estável e com mais ferramentas de ação à disposição.

Hoje, 50% dos jovens brasileiros de 18 a 24 anos mostram-se mais conectados com discursos coletivos do que individualistas. Apenas 20% consideram-se individualistas e 67% dos jovens discordam de que “só pensa em fazer algo pela sociedade se tiver algum benefício para si próprio”. E incríveis 74% de nós afirmam se sentir na obrigação de fazer algo pelo coletivo no seu dia-a-dia.

Uma ressalva importante é que se conectar com um discurso coletivo não significa necessariamente já estar agindo pelo coletivo. Significa perceber que esse é um valor que passa a ser cada vez mais socialmente aceito hoje e que a sociedade espera que as pessoas adotem essa postura.

Mas nem tudo são rosas. Se 70% dos jovens afirmam que têm vontade de participar de projetos comunitários, apenas 7% se juntariam por projetos de cunho político e econômico. 31% preferem cultura ou arte, seguido por meio ambiente (29%) e educação (26%).

Hoje, pensar no outro não exclui pensar em si mesmo. Não precisamos mais morrer como mártires em prol de um causa. Há uma interdependência entre bem-estar individual e da sociedade. O mesmo jovem que afirma que tem que pensar em si mesmo antes de pensar no outro pode afirmar que o seu bem estar individual depende do bem estar da sociedade. As duas esferas não se excluem.

Hoje somos jovens-ponte. Ou jovem-ponte. Jovens que se relacionam com 3 ou 4 grupos: família, trabalho, estudo e mais algum. O jovem que está agindo pelo coletivo transita por muito mais grupos que a média das pessoas. Além de transitar por mais grupos, recolhe ideias e pensamentos destes grupos, para evoluir seu próprio pensamento e suas ações. Esse jovem funciona como um catalisador de ideias, gerando um novo tipo de influência, que se dá pela transversalidade.

8% dos jovens brasileiros são jovem-ponte. Ou seja, a cada 12 jovens, 1 é ponte.

Segundo Datafolha, apenas 4% não participam de movimentos e organizações sociais e 62% estão ligados a movimentos e atividades de alguma igreja, 17% a ONG’s e 13% a movimentos sociais como sem-terra, feminista, raciais, etc.

Este jovem quer conhecer e criar pontes entre realidades diferentes das suas, pois entende que esse conhecimento do outro é importante para a sua própria evolução e para a evolução do pensamento coletivo. A possibilidade de ativar redes por afinidade cria novas formas de ação, como os projetos independentes. Eles facilitam a adesão e o trânsito entre diferentes projetos, gerando uma participação mais leve, interdisciplinar e múltipla. O jovem-ponte adiciona uma nova dimensão ao trabalho, além de felicidade e realização pessoal: quer também fazer diferença na sociedade através da sua profissão. Querem encontrar uma forma de integrar o trabalho às outras dimensões de sua vida voltadas para o coletivo.

Não se acredita mais numa ruptura do pensamento, acredita-se que o pensamento está sempre se modificando. Gradualmente. Não como um choque, mas aos poucos. Quando você olha lá na frente, algo mudou. O jovem hoje não quer bater de frente com o sistema, ele prefere costurar por fora.

Contextos
Integrar construindo, sem rupturas

Uma geração que não busca romper com a dos pais, mas sim encontrar as brechas do sistema para transformar. 86% dos jovens brasileiros concordam que a transformação da sociedade vem da união de diversas causas. 83% concordam que diferentes partidos políticos podem se unir pela mesma causa e 68% gostariam que a cultura local se misturasse com a cultura global.

A tecnologia e, fundamentalmente, a internet, as redes, o digital, impulsionada pelo crowdsourcing e crowdfunding, são a maior ferramenta de transformação social já criada. É uma revolução social já criada. É uma revolução absoluta e irreversível. É um outro nível de empoderamento das pessoas.

As possibilidades infinitas dão espaço para a criação de um “eu” mais ‘multivíduo’ do que ‘indivíduo’. Jovens enxergam que a cultura global não anula as particularidades locais, mas, pelo contrário, cria um espaço mais amplo onde manifestações distintas podem dialogar e trocar.

A lógica das redes permite que todos tenham possibilidade de ganhar voz e atuar de alguma maneira. A descrença no sistema representativo aumenta. A transformação vem através de pessoas que se organizam, de grupos de pessoas que estão se articulando. O jovem hoje não precisa mais pedir licença. Hoje podemos agir ao invés de pedir.

A essência colaborativa dos novos vínculos sociais

Redes multiplicam as possibilidades de vínculos entre pessoas com afinidades comuns. Embora esses laços possam ser mais fracos do que aqueles que se dão no interior de instituições tradicionais, eles ganham muito mais abrangência e alcance porque não dependem necessariamente de suportes e recursos materiais.

A eficácia da comunicação via redes sociais com Twitter e Facebook tem sido um elemento fundamental na resolução de diversas questões e problemas de relevância mundial. Em 2009, durante as rebeliões no Irã contra o resultado supostamente fraudado da eleição presidencial, usuários do Twitter de diversos países expressaram apoio aos iranianos e trocaram a nacionalidade de seus perfis para atrapalhar a censura e perseguição do governo a ativistas.

Multiplicidade de projetos e grupos de ação temporários

Jovens não buscam, necessariamente, um grupo com uma identidade homogênea para se filiar de forma permanente. Muitos valorizam a possibilidade de transitar entre diferentes projetos, ter flexibilidade para atuar de formas mais pontuais e se conectar com o máximo possível de frentes em que acreditam.

85% dos jovens brasileiros acreditam que a internet contribui para o seu aprendizado e 81% gostaria de trocar mais experiências com jovens de outros países.

Tudo isso cria uma nova maneira de agir no mundo. Múltiplas revoluções silenciosas transformam o mundo de forma lenta e gradual. Há uma crença em que a força transformadora da sociedade pode vir muito mais das pessoas que se organizam dentro de suas realidades do que das instituições. Os problemas que afetam os jovens são globais. Cada vez mais somos cidadãos globais.

Facilitado por uma realidade mais informal de engajamento sem a assinatura de “contratos formais”, a atuação social deixa de ser vista como algo necessariamente institucionalizado. A transformação vem através de pessoas que se organizam, de grupos articulados de pessoas. Reflexo disso é que 92% dos jovens concordam que a soma das pequenas ações do dia-a-dia pode mudar a sociedade, 90% que a transformação acontece aos poucos e 79% que é possível mudar a política a partir de ações do dia-a-dia.

Hiperconexão

Foco no tempo presente. Pensamento não-hierárquico. Essência colaborativa dos novos vínculos sociais. Presença independente de espaço físico. Cultura global como mosaico de culturas locais. A cultura do “e” no lugar do “ou”. Mobilização pacífica e simbólica. A força dos projetos independentes.

Hiperconexao
Economia transparente

Jovens questionam a lógica do acúmulo de dinheiro e da propriedade com fins unicamente individuais. Não negam a importância da economia no mundo atual, mas sentem falta de uma perspectiva mais coletiva ou mais focada no uso, e não no acúmulo, de bens econômicos.

O jovem percebeu que, enquanto muita gente pensa apenas no lucro, outras pessoas estão comendo farinha com água em casa. Ninguém está negando a importância do dinheiro, mas se mostram atentos às suas marcas sociais: qual a sua origem, a que se destina, se está sendo utilizado de forma socialmente responsável.

Questionamos cada vez mais a valorização excessiva do dinheiro e a conseqüente deturpação da sua função original: foi criado como um equivalente universal para facilitar trocas, mas acabou se transformando em objeto de desejo de acumulação e gerando cada vez mais desigualdades sociais.

Ganha força a ideia de que a economia não deve se preocupar apenas com recursos financeiros e bens materiais. Muitos jovens acreditam que ela deva repensar também seus impactos no meio-ambiente, na vida cotidiana das pessoas, na geração de renda local e na sociedade como um todo.

Creative commons, open source, crowdsourcing e crowdfunding são exemplos de uma nova forma de se pensar propriedade. Unir forças pra conseguir algo ou usufruir de usos compartilhados é um pensamento cada vez mais forte.

91% dos jovens brasileiros acreditam que hoje as pessoas consomem mais do que precisam.

Dinheiro
Política cotidiana

Os jovens hoje se sentem cada vez menos representados pelo sistema político institucional, que acreditam ter se afastado da sua função original de olhar para o bem comum de todos. Por isso, redefinem o que entendem por política, assim como as suas possíveis formas de participação.

Concentração de poder é associada a alguns dos problemas mais graves do país. Num mundo fragmentado e onde as hierarquias são constantementes subvertidas, essa lógica faz cada vez menos sentido.

Enxergamos que atuar dentro de nossas possibilidades cotidianas (mesmo com pequenas ações) é mais efetivo do que apenas esperar soluções dos representantes políticos formais. 59% dos jovens afirmam não ter nenhum partido político, mas 71% concordam que a usar a internet para mobilizar as pessoas é um jeito de fazer política.

Educação compartilhada

Os jovens acreditam, cada dia mais, que não é apenas em escolas e universidades que existe conhecimento. Ele também pode ser construído, repassado e disseminado de outras formas e em outros locais. Tradições populares também são importantes formas de se dividir e repassar conhecimento. A integração entre diferentes fontes de saber (tradicional e moderno; formal e informal; teórico e empírico) é vista como oportunidade de se criar e disseminar ainda mais conhecimento.

Educação
Conhecimento acumulado e isolado perde seu valor. Para os jovens, as barreiras formais entre diferentes áreas de conhecimento não fazem mais sentido e a religação entre saberes diferentes é cada vez mais valorizada. Se a transformação social só é possível a partir da ação das pessoas, atribui-se à educação grande parte da responsabilidade por estimular a formação de cidadãos capazes de exercer esse papel.

Trabalho

Muitos jovens projetam no trabalho expectativas que vão muito além de atributos funcionais. Estabilidade, carreira e dinheiro são importantes, mas dividem espaço com outras motivações. Combinar trabalho com realização pessoal é uma busca dos jovens.

Após carreira (55%) e carteira assinada (53%), o mais importante para o jovem é satisfação (41%). O maior salário ocupa a quarta posição (39%). Os jovens acreditam que os pais valorizam em primeiro lugar carteira assinada (53%) seguido de maior salário (47%). Satisfação ocupa o quinto lugar (22%).

Trabalho
É na voz dos pais que os jovens sentem de forma mais clara a pressão social por estabilidade e retorno financeiro. Embora afirmem ter uma boa relação com os pais, muitos jovens-ponte sentem que, quando o assunto é trabalho, existe uma pressão para que se dediquem a profissões ligadas a modelos de carreira seguro e com maior retorno financeiro.

Muitos jovens também enxergam no trabalho uma conexão com seu papel social. 90% afirmam que gostariam de ter uma profissão que ajudasse a sociedade. Embora apenas 6% do total de jovens aponte “relevância social” como um dos fatores decisivos na hora de escolher um trabalho.

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Valores

Participação. Diversidade. Criatividade. Diálogo.

Os jovens acostumaram-se desde cedo a pensar de forma sistêmica e não-hierárquica. Não acreditam que o Brasil será salvo por um messias e entendem que a transformação deve se dar também de baixo para cima.

Tendo nascido num mundo globalizado e interligado, os jovens enxergam cada vez menos barreiras para agir porque sabem que podem contar com suas redes.

Jovens entendem que a riqueza da cultura global depende da força de todas as culturas locais que a compõem. Tendo suas identidades bem definidas, elas podem interagir, realizar novas trocas, novas misturas e dar origem a cada vez mais abundância e coisas novas no âmbito mundial.

Num mundo estruturado ao redor de redes e circuitos de comunicação, grandes transformações nascem a partir da disseminação de informações e novas ideias. Nessa nova lógica, ganham destaque não necessariamente os mais ricos ou mais bem armados, mas muitas vezes aqueles que conseguem fazer suas ideias serem notadas e seguidas por outras pessoas.

As manifestações culturais e artísticas – que estão num território onde muitos jovens atuam diretamente – tornam-se protagonistas de importantes transformações. Jovens não partem do pressuposto de que têm que negar ou destruir tudo que já foi feito até então para construir algo novo. Entendem que podem aproveitar o que já existe e outros pontos de vista para realizar alianças e construir coisas coletivamente.

Conclusão

“Se o homem é do tamanho dos seus sonhos, um sonho coletivo é do tamanho de uma nação.” Fernando Pessoa.

Mais do que um sonho, é um retrato real de um futuro promissor, a promessa de dias melhores, cultivados desde sempre na mente e no coração de milhares de jovens. Estudos como este, que incentivam a transformação e engajam comunidades e pessoas, nos fazem acreditar na construção de um mundo melhor.


Para chegar nestes resultados, foram entrevistados 1784 jovens de 18-24 anos, em 173 cidades em 23 estados. A margem de erro é de 2% para mais e para menos.

www.box1824.com.br

osonhobrasileiro.com.br

 

Por Rafale Zatti